O mercado
Será que finalmente as "casas inteligentes" farão parte de nossa rotina? As mudanças no comportamento do consumidor e a chegada de novas tecnologias convergentes e conectadas estão, aparentemente, fazendo com que as pessoas passem mais tempo em suas casas e também utilizando seus "gadgets", aproveitando, entre outras coisas, a sua mobilidade e interatividade. Um cenário perfeito para a indústria da automação residencial decolar de vez.
Num passado recente, as tecnologias domésticas ainda assustavam, tanto pelo seu custo como pela dificuldade de uso.
O advento, entre outras soluções, dos tablets e dos smartphones abriu novos horizontes de utilização para os usuários domésticos. Ao utilizarem estes produtos para finalidades tão diferentes como se comunicar, ouvir músicas, criar vídeos e outras, controlar a casa passou a ser apenas mais uma das facilidades disponíveis. Além disso, a ampla oferta de banda larga e de redes sem fio facilita ainda mais estas aplicações, extensíveis a qualquer ambiente da casa ou até das cidades.
Assim, direta ou indiretamente, a criação de um estilo de vida mais conectado esta trazendo muitos moradores para o mercado de automação residencial também. Algumas estatísticas recentes dão conta que em 2012 serão comercializados globalmente 1,8 milhões de sistemas e a previsão para 2016 e de 12 milhões. Confirmados estes números, com certeza teremos dentro de cinco anos um mercado totalmente amadurecido.
Nos últimos anos, o mercado de automação residencial se baseou muito em projetos para novas residências, o que limitou de certa forma seu crescimento e abrangência. Estudos atualizados mostram que esta tendência está mudando, ainda lentamente, mas com indicadores firmes. No mercado norte-americano, por exemplo, hoje 60% dos projetos já estão voltados a imóveis existentes que passam por reformas e atualizações e apenas 40% são representados por projetos de novas residências. Antes da crise de 2009, cerca de 90% dos projetos eram voltados a novas edificações. Este panorama vem mudando inclusive devido ao surgimento de soluções sem fio
bastante confiáveis e simples de instalar e programar. Com a consolidação deste
mercado, novas oportunidades vão surgir referentes à manutenção e re-programação
de sistemas, um negócio pouco viável no dia de hoje em função de um parque
instalado ainda não significativo.
O Brasil, diversas construtoras estão apostando no diferencial representado pela introdução da automação residencial em seus projetos. E esta característica do nosso mercado ajuda a criar potenciais consumidores em um futuro bem próximo. Ao receberem seus novos imóveis com algum tipo de tecnologia já embarcada, ou pelo menos preparado para recebe-Ia, os moradores estarão mais propensos a investir em sistemas de automação e usufruírem deles desde a ocupação inicial da moradia.
Novas demandas
Além dos benefícios já conhecidos representados pela automação residencial, ligados aos aspectos de conforto, segurança, lazer e conveniência, espera-se, num futuro muito próximo, o crescimento acelerado dos outros, ligados a eficiência energética e à sustentabilidade. Alguns destes temas já foram tratados em capítulos
anteriores, mas a ênfase vai aumentar ainda mais a partir de novas regras que estão surgindo. No Brasil, recentemente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já criou dispositivo legal que vai obrigar as concessionárias de energia a cobrar tarifas diferenciadas dos consumidores para fornecimentos de energia fora dos horários de pico de demanda. Esta medida, já usual em muitos países desenvolvidos, trará um novo benefício, representado pela redução no valor da conta de consumo. Para aproveitar deste benefício, consumidores em geral terão que escalonar o usa de seus equipamentos elétricos e eletroeletrônicos para aproveitar os períodos onde a energia será mais barata. Uma aplicação ideal para sistemas automatizados, ligados aos medidores inteligentes, que poderão maximizar a eficiência no uso da energia na pratica sem a necessária intervenção do morador.
Esta situação também nos leva a antever uma possível participação maior de concessionárias de serviços (seja de energia ou telecomunicações) no mercado de automação residencial. Como estas empresas já tem normalmente um elo com o consumidor doméstico, poderão, em breve, oferecer uma gama maior de serviços e mesmo de bens sob a forma de comodato. Alguns exemplos de equipamentos já existentes seriam os smart meters(medidores inteligentes de consumo) e modens de internet. No entanto, a oferta de serviços inovadores tem uma amplitude ainda maior e depende apenas da capacidade e do interesse das concessionárias em abordar este mercado.
Da mesma forma, também provedores de serviços atuais podem se candidatar a ampliar sua oferta. A migração de dados para a "nuvem" (cloud computing) é uma das possíveis tendências da automação residencial que começa a ser investigada. Servidores de maior capacidade, externos a residência e pertencentes a provedores, poderão ser utilizados para simplificar os equipamentos domésticos, fazendo o processamento dos dados na nuvem. Se as empresas de AR se interessarem em desenvolver e instalar estes equipamentos mais "Ieves" nas residências,
aproveitando a arquitetura de servidores disponíveis na rede mundial como apoio, uma nova geração de aplicativos com certeza surgira com grandes chances de se prevalecer no mercado.
Também já discutimos o uso cada vez mais intenso de sistemas de monitoramento a distancia utilizados não apenas para segurança patrimonial como também para acompanhar a saúde dos moradores e suas necessidades especiais (de crianças, deficientes ou idosos, por exemplo).
A partir deste tipo de utilização, também prevemos o surgimento de diversos
serviços inovadores que vão desde "cuidadores à distância" até a entrega em domicílio de bens e serviços resultantes de comandos automáticos dos sistemas de supervisão (caso, por exemplo, de medicamentos, consultas médicas, serviços de enfermagem, de exames laboratoriais e similares, manutenções preventivas e corretivas).
O entretenimento doméstico também passa por uma grande transformação. O crescente abandono das mídias físicas, como CDs e DVDs, substituídos por media centers que armazenam grandes quantidades de arquivos (músicas, vídeos, fotos, entre outros) e a rápida introdução de conteúdo interativo representado por novas modalidades de jogos eletrônicos e de canais de TV assinados estão alterando não só os equipamentos e softwares utilizados como o próprio espaço físico das casas. Novos conceitos de armazenar e distribuir áudio e vídeo pelos ambientes domésticos implicam
projetos mais arrojados e bem resolvidos e, principalmente, à prova do futuro, pois devem ser capazes de acompanhar a evolução tecnológica por muito tempo sem a necessidade de reformas ou intervenções na moradia.
O mote da mobilidade tem ajudado muito o desenvolvimento da automação residencial. Moradores podem controlar seus equipamentos domésticos enquanto transitam pelos diversos ambientes e, logicamente, também de fora da residência. Controles estáticos, como telas de toque fixadas na parede, estão perdendo terreno rapidamente para tablets econtroles remotos universais pela facilidade que estes últimos representam.
Paradigmas
Muito se discute sobre a criação cada vez mais intensa de soluções plug & play, ou seja, o usuário comum poderá instalar e programar seus equipamentos sem a necessidade de recorrer a profissionais especializados. Em algumas categorias, isto vem ocorrendo com mais intensidade, como é o caso de aplicações de jogos eletrônicos, áudio e vídeo.
Sistemas mais elaborados, como segurança e iluminação, ainda estão longe de serem considerados plug & play, pois normalmente demandam a participação de diferentes profissionais para obter resultados satisfatórios. Isto inclui desde arquitetos a consultores especializados, cabendo ao profissional de automação a tarefa de integrar o resultante destas atividades em um projeto harmonioso e eficiente. Esta é uma tendência que, acredita-se, ainda deve perdurar por muito tempo, mesmo que sistemas mais intuitivos sejam criados com a finalidade de facilitar o acesso dos moradores à tecnologia.
A unificação de protocolos de comunicação também é citada muitas vezes como uma necessidade, a fim de tornar os sistemas interoperáveis. Sem duvida, uma linguagem universal facilitaria muito o trabalho de integração e possivelmente tornaria as soluções ainda mais viáveis em termos de custo final. No entanto, barreiras comerciais e tecnológicas se impõem ainda no mercado e tornam este aradigma difícil de ser quebrado.
Houve evolução neste cenário, logicamente. A utiIização, por exemplo, de plataformas IP, comuns a diversas interfaces, e o desenvolvimento de múltiplos aplicativos simples de baixar e utilizar ajudam a superar algumas destas dificuldades para o usuário comum. No entanto, em médio prazo, ainda será necessário fazer a integração de equipamentos de diferentes origens e fabricantes por meio de interfaces e softwares específicos, desenhados e desenvolvidos pelos integradores profissionais.
Uma dose de futurismo
Certas tecnologias ainda pouco utilizadas na automação residencial, tais como GPS e RFID, podem passar a fazer parte do cenário em breve. Projetos conceituais desenvolvidos em centros de referencia mundiais estão pesquisando os hamados "ambientes inteligentes", bem como a "internet das coisas", dois conceitos inovadores e recentes. Um dos objetivos é desenvolver meios de controle utilizando sensores, comunicação sem fio identificação por radiofrequência (RFID) e GPS para observar o comportamento dos moradores e fazer escolhas automáticas baseadas nos padrões detectados. A intenção é sempre tornar ainda mais intuitivas e amigáveis as
interações dos moradores com os sistemas de controle e comando.
Este tipo de tecnologia, aliada à presença de computação pervasiva, ou seja, uma grande quantidade de processadores e chips nos rodeando, promete também situações de grande interatividade. Um sistema baseado nestes conceitos pode fazer com que Imagem de monitores "sigam" os moradores pela casa, apresentando as condições
climáticas e do transito enquanto ele se troca ou toma o café da manha.
Checando o extrato bancário e sugerindo uma lista de compras para o dia, depois
de verificar o estoque de suprimentos da casa. Alguns gestos podem ser captados
por microcâmeras que identificam as necessidades traduzidas nestes gestos e preparam
cenários diferentes conforme a situação reportada.
Ficção? Nada disso! Com certeza já dispomos de tecnologia para construir este tipo de solução. 0 que é preciso é torna-Ias mais baratas e fáceis de se instalar e se manter, um desafio e tanto para os próximos anos.
Por José Roberto Muratori e Paulo Henrique Dal Bó
Artigo da revista O Setor Elétrico edição 71 dezembro 2011.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Balanço Energético Nacional de 2011: uma breve analise
Para a maioria das empresas e indústrias brasileiras, a energia é um insumo viral, necessário para gerar grande parte da produção. Porém, ainda é pouco difundido que este ramo da econômica paga valores superiores aos realmente consumidos pela energia elétrica, devido a um erro no cálculo das tarifas aplicadas a essas contas desde 2002.
Verifica-se, portanto, que, além de o empresário pagar pelo consumo efetivo - sobre o qual incide o preço por KV -, quando contrata fornecimento de energia elétrica em maior escala, paga também pela contratação, sob a rubrica de demanda, e, por uma eventual ultrapassagem desse limite de consumo contratado (Demanda de Ultrapassagem), que chega a ser três vezes o valor do KV no período normal.
Aliado a isto, estão os aumentos que não foram deferidos pela Aneel, como cobrança irregular de multas, principalmente as relacionadas a fatores de potência, aplicação errada de fórmulas nos cálculos de consumo e das tarifas e tributos.
A maneira como estas contas de energia estão sendo cobradas carecem de amparo legal, a edida que fere o nosso ordenamento jurídico e coloca em cheque as prerrogativas da Aneel, que regula este segmento no Brasil.
Se estas contas forem revistas e discutidas, o percentual de redução no valor final da conta de energia pode girar em torno de 30% (trinta por cento), trazendo grande retorno às empresas, reduzindo gastos e aumentando o lucro, desenvolvendo as atividades industriais e empresariais no país e, principalmente, desonerando os produtos e serviços aos cidadãos de modo geral.
Como o governo e as concessionárias sabem do problema, mas nunca fizeram nada para mudar este quadro,o presidente da FIESP, Paulo Skaf, lançou uma campanha para mobilização dos empresários e da população acerca das cobranças de energia elétrica no país.
Verifica-se, portanto, que, além de o empresário pagar pelo consumo efetivo - sobre o qual incide o preço por KV -, quando contrata fornecimento de energia elétrica em maior escala, paga também pela contratação, sob a rubrica de demanda, e, por uma eventual ultrapassagem desse limite de consumo contratado (Demanda de Ultrapassagem), que chega a ser três vezes o valor do KV no período normal.
Aliado a isto, estão os aumentos que não foram deferidos pela Aneel, como cobrança irregular de multas, principalmente as relacionadas a fatores de potência, aplicação errada de fórmulas nos cálculos de consumo e das tarifas e tributos.
A maneira como estas contas de energia estão sendo cobradas carecem de amparo legal, a edida que fere o nosso ordenamento jurídico e coloca em cheque as prerrogativas da Aneel, que regula este segmento no Brasil.
Se estas contas forem revistas e discutidas, o percentual de redução no valor final da conta de energia pode girar em torno de 30% (trinta por cento), trazendo grande retorno às empresas, reduzindo gastos e aumentando o lucro, desenvolvendo as atividades industriais e empresariais no país e, principalmente, desonerando os produtos e serviços aos cidadãos de modo geral.
Como o governo e as concessionárias sabem do problema, mas nunca fizeram nada para mudar este quadro,o presidente da FIESP, Paulo Skaf, lançou uma campanha para mobilização dos empresários e da população acerca das cobranças de energia elétrica no país.
Segundo estimativa do Tribunal de Contas da União (TCU), foram pagos mais de R$ 8 bilhões pelos empresários por conta da lesão causada na conta devido ao "erro".
Pelo impasse na resolução do problema, os empresários terão mesmo de recorrer a Justiça para exigir das 63 distribuidoras do país o ressarcimento dos valores pagos a mais na conta de luz.
Contudo, em que pese este crescimento acentuado da exploração da matriz eólica de energia, esta fonte ainda apresenta um percentual muito pequeno no contexto geral (considerando a participação das matrizes na geração de energia elétrica): 0,4%.
Outro aspecto que ainda evidencia a participação embrionária desta Fonte energética: enquanto matrizes energéticas como o petróleo, o gás natural e a hidrelétrica são apresentadas em gráficos de forma destacada, a eólica ainda não apresenta uma rubrica própria, encaixando-se na rubrica "outras renováveis" (destacamos a coluna “2010 da Tabela 1.3.b do BEN/2011.
Pelo impasse na resolução do problema, os empresários terão mesmo de recorrer a Justiça para exigir das 63 distribuidoras do país o ressarcimento dos valores pagos a mais na conta de luz.
Contudo, em que pese este crescimento acentuado da exploração da matriz eólica de energia, esta fonte ainda apresenta um percentual muito pequeno no contexto geral (considerando a participação das matrizes na geração de energia elétrica): 0,4%.
Outro aspecto que ainda evidencia a participação embrionária desta Fonte energética: enquanto matrizes energéticas como o petróleo, o gás natural e a hidrelétrica são apresentadas em gráficos de forma destacada, a eólica ainda não apresenta uma rubrica própria, encaixando-se na rubrica "outras renováveis" (destacamos a coluna “2010 da Tabela 1.3.b do BEN/2011.
O fato é que podemos verificar, em uma mesma análise, certo "atrevimento", mas também, ao mesmo tempo, certa "timidez' da participação da energia eólica dentro da matriz energética brasileira.
Se, por um lado, apresenta constante crescimento, por outro, ainda não apresenta grande representatividade. É bem verdade que, principalmente após os diversos leilões de fontes renováveis de energia, este quadro de crescimento tende a se manter perene, até com uma curva mais acentuada de crescimento, chegando a se tornar uma rubrica específica na matriz energética do Brasil. Contudo, é apenas uma aposta, de modo que teremos de esperar para ver.
O comportamento das principais fontes energéticas
Ficou bastante claro que as principais fontes energéticas brasileiras ainda são, na ordem, o petróleo e seus derivados (37,6% da oferta interna de energia), os derivados da cana-de-açucar (17,8%), hidráulica e eletricidade (14%), e o gás natural (10,3%).
No universo das quatro principais matrizes energéticas brasileiras, é interessante analisar individualmente o comportamento do gás natural, que chegou a deixar de figurar entre as quatro principais fontes energéticas em 2009, mas retomou esta posição em 2010.
Como poderíamos explicar está oscilação entre 2008 e 2010? Vou apimentar esta pergunta com mais um dado: em 2008, o Brasil incrementou sua produção de gás natural, alcançando e superando a marca de 20 bilhões de m3 pela primeira vez em sua história, mantendo a produção
neste patamar no triênio citado:
No universo das quatro principais matrizes energéticas brasileiras, é interessante analisar individualmente o comportamento do gás natural, que chegou a deixar de figurar entre as quatro principais fontes energéticas em 2009, mas retomou esta posição em 2010.
Como poderíamos explicar está oscilação entre 2008 e 2010? Vou apimentar esta pergunta com mais um dado: em 2008, o Brasil incrementou sua produção de gás natural, alcançando e superando a marca de 20 bilhões de m3 pela primeira vez em sua história, mantendo a produção
neste patamar no triênio citado:
A resposta está no destaque posterior: houve uma importante diminuição no volume de gás natural importado na Bolívia ao longo de 2009, que girou na casa 2,8 bilhões de m3, representando uma queda de aproximadamente 24%.
Nota-se que, tirando esta oscilação, já que o volume de gás natural importado tornou a subir ao longo de 2010, assim como a produção desta fonte energética, não há grandes sobressaltos quando consideramos as matrizes energéticas individualmente.
Contudo, analisando a matriz energética brasileira de um modo global, tal panorama não é de todo positivo. Isso porque, apesar de pequenas, as variações das principais fontes energéticas renováveis foram de baixa, enquanto aquelas atinentes às fontes energéticas não renováveis
foram de alta.
Isso se reflete na proporção entre ambas as matrizes energéticas: enquanto as renováveis representam 45,5% do total, as não-renováveis representam 54,5%. Esta inflexão é importante, porque põe fim a uma tendência de "limpeza” da matriz energética brasileira ao longo desta década. Notamos que, desde 2001, as fontes energéticas não renováveis sempre aumentam sua participação na matriz energética brasileira até 2009.
Conclusão
Desta análise, notamos duas tendências que soam antagônicas: com o forte aumento de uma fonte de energia renovável (energia eólica) ao longo do último ano, foi observada a quebra da tendência de aumento da participação global das fontes de energia renovável no computo geral da matriz energética brasileira, interrompendo uma curva ascendente de ao menos uma década.
A grande pergunta é: o aumento da participação das chamadas fontes alternativas de energia na matriz energética brasileira será suficiente para reconduzir a participação das fontes nováveis de energia à sua tendência de alta?
Teremos de esperar para obter uma resposta, mas a esperança, considerando o incremento dos investimentos em fontes renováveis como a eólica e a solar, além das construções de usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte,é positiva em médio prazo.
Por
Carlos Marcos Patrocínio Ribeiro
Artigo da revista O Setor Elétrico, edição 71 dezembro 2011.
quinta-feira, 8 de março de 2012
GRANDES FINALISTAS DO TOP REVENDAS LUMIÈRE 2011
A 7ª edição do Prêmio recebeu a inscrição de 85
revendas e distribuidores de materiais elétricos, responsáveis por 60% do
faturamento deste mercado.
revendas e distribuidores de materiais elétricos, responsáveis por 60% do
faturamento deste mercado.
O TOP Revendas chega a sua 7ª edição. O prêmio, concedido
pela Editora Lumière desde 2005, foi criado com o objetivo de reconhecer as
melhores revendas e distribuidores de materiais elétricos do País. Para isso,
um extenso processo de avaliação é realizado, o qual analisa as revendas
inscritas, dentre as quais, apenas 15 são escolhidas. Esta edição apresenta o
nome das empresas que estão na reta final e explica também como será o processo
que elegerá a grande vencedora.
O setor de materiais elétricos
movimenta cerca de R$7,5 bilhões por ano no Brasil, sendo que deste total,
R$3,7 bilhões são movimentados por revendas e distribuidores de materiais
elétricos. Em 2010, o prêmio reuniu mais de 80 revendas de vários Estados
brasileiros, resultando no faturamento de aproximadamente R$2,4 bilhões, isto
é, mais de 60% de tudo o que é movimentado pelas revendas do País. Dessa
fração, 40% correspondem aos 15 finalistas do Prêmio.
Neste ano, o número de inscritos
foi de 85. O processo para selecionar as finalistas é iniciado pela
autoavaliação da revenda inscrita, a qual responde a um questionário,
informando as condições em que se encontra. Posteriormente, outro questionário
é respondido por diversos fabricantes de materiais elétricos e de iluminação que
possuem relação com as revendas, avaliando o desempenho de cada uma.
A escolha das finalistas tem base
nos critérios estabelecidos pela Lannes & Hoffman, empresa de consultoria contratada
pela Editora Lumière e responsável pelo desenvolvimento da metodologia de
avaliação e auditoria das informações fornecidas pelas participantes.
A premiação funciona como um selo
de qualidade, que apresenta ao setor o melhor fornecedor de materiais elétricos
e de instalação. Isso porque o processo de avaliação leva em conta a capacitação
da equipe, a pré e a pós-venda, o estoque, a relação com fornecedores e
colaboradores, a certificação e aspectos ligados à infraestrutura da área de
tecnologia da informação.
Além disso, foram ouvidos agentes
que atuam em toda a cadeia, do fabricante ao cliente final. As participantes
também recebem gratuitamente, na finalização do processo de avaliação, um relatório
de desempenho, que traz informações sobre a avaliação da revenda.
Com isso, essas empresas tem a oportunidade
de reconhecer seus pontos fracos e fortes, e, dessa forma, estabelecer estratégias
para melhorar aspectos em que apresentam limitações e reforçar aqueles com um
bom desempenho.
Os vencedores serão conhecidos
durante a cerimônia de entrega do Prêmio, que acontecerá no dia 22 de março, no
Buffet Baiuca, em São Paulo.
A seguir, apresentamos todo o
processo de avaliação, desde a inscrição da revenda até a premiação. Confira.
PESQUISA DE MERCADO
A Revista Lumière Electric disponibiliza
nesta edição uma pesquisa realizada com cerca de 70 revendas e distribuidores. O
levantamento apresenta dados, como a expectativa com relação ao desempenho em
2012, os principais problemas que afetam este segmento e a distribuição geográfica
das vendas no Brasil.
COMO FUNCIONA O TOP REVENDAS
INSCRIÇÃO
A editora Lumière recebe as inscrições voluntárias
das empresas que revendem ou distribuem predominantemente material elétrico de
iluminação, instaladas em território nacional, de qualquer porte, que tenham um
anão ou mais de atividade continua no mercado e que comercializem mais do que
uma marca de produtos.
AUTOAVALIAÇÃO
Autoavaliação, preenchida pelos
responsáveis pela revenda ou distribuidora, consiste no preenchimento de cada
um dos itens do ”Formulário de Autoavaliação". O responsável assinala em
cada item a condição em que, segundo a sua avaliação, a revenda candidata
encontra. Os itens do questionário de autoavaliação foram elaborados pela
Editora Lumière e pela Lannes & Hoffmann, em conjunto com representantes da
indústria de materiais elétricos e com profissionais que atuam como compradores
das revendas do setor
-engenheiros, eletricistas, técnicos,arquitetos e lighting designers.
VOTAÇÃO DA INDÚSTRIA
Neste período, inúmeras
indústrias de material elétrico e de iluminação são convidadas a avaliar as
revendas com as quais elas tem relação comercial. Cada indústria selecionada as
revendas que conhece e determina, item a item, a condição na qual a revenda
avaliada se encontra.
APURAÇÃO E DIVULGAÇÃO DAS FINALISTAS
Com os dados fornecidos pelas
revendas e com avaliação da indústria, a consultoria Lannes & Hoffman
compila, processa e apura as informações com objetivos de definir as finalistas
da premiação. As 15 revendas finalistas são condecoradas com troféu Top
Revendas na noite da premiação.
VISITA TÉCNICA
As revendas finalistas recebem
a visita técnica de auditores da Lannes & Hoffman. Na visita, é feita a
verificação da conformidade das respostas fornecidas pelas candidatas na
autoavaliação. Em caso de evidente desconformidade entre as informações
prestadas e a apuração feita pelos auditores, a Editora Lumière pode decidir
pela desclassificação da revenda.
PREMIAÇÃO
A premiação e o anúncio das Top
revendas de 2011 serão realizados em grande evento com coquetel e jantar no dia
22 de março de 2012, em São Paulo.
RELAÇÃO DE FINALISTAS
* Elétrica PJ
* Elétrica Neblina
* DW
* Delamano
* Dimensional
* Reymaster
* Maxel
* Nortel
* Etil
* Centelha
* Santil
* Peu Eletricidade
* Othon de Carvalho
* B.A
* Realcenter
ANO
PROMISSOR PARA SETOR DE MATERIAIS ELÉTRICOS
Fabricantes
de materiais elétricos e de iluminação tem bons motivos para acreditar em um
crescimento maior que o PIB
A
indústria elétrica e eletrônica obteve um crescimento de 8% no ano de 2010. Por
conta da crise econômica mundial e da valorização do real frente ao dólar, a
previsão de 13% não foi alcançada. Com isso, o crescimento do setor em 2011
ficou abaixo do esperado. No entanto, os fabricantes de materiais elétricos estão
bastante otimistas e acreditam que 2012 será um ano próspero.
Mesmo diante de um cenário de crise,
no qual muitos segmentos da indústria elétrica e eletrônica apresentaram déficit
de exportação, os materiais elétricos de instalação mantiveram um bom índice,
apresentando um crescimento da exportação de 17%. Isso porque o setor de material
elétrico, diferentemente do de componentes ou de celulares, não é tão
influenciado pelas importações.
Segundo o diretor da área de
material elétrico de instalação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica
e Eletrônica (Abinee), Antônio Eduardo de Souza, a maioria dos produtos, como
interruptores, plugues e tomadas, tem um padrão estabelecido por norma técnica
nacional, fato que favorece a fabricação no País. "A base da área de
materiais elétricos depende menos de importações do que comparado a outras áreas
dentro da Abinee", afirma. Porém, o faturamento foi da ordem de 4% em
comparação com 2010.
De acordo com o executivo, este
faturamento inexpressivo deve-se à desaceleração da economia no segundo
semestre de 2011. "O crescimento do 1º semestre acabou sendo quase que
anulado pela baixa do 2º, mais precisamente dos 3º e 4º trimestres, que tiveram
desempenho bem abaixo", esclarece.
Contudo, a diferença é que este
setor conta com o apoio de investimentos do governo, como o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida, além da infraestrutura que esta
sendo criada por conta dos eventos esportivos a serem recepcionados pelo
Brasil. Diante deste fato, especialistas acreditam que a construção civil
impulsionara a venda de materiais de instalação.
A projeção de faturamento, segundo
Souza, é tímida, pois tem base nos resultados do 2º semestre de 2011, que ficaram
abaixo das expectativas. Já o crescimento previsto para 2012 e de 5%, média
acima do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que tem uma projeção de no máximo,
3% para este ano.
Abaixo, realizamos uma pesquisa
exclusiva com as indústrias, com base nos resultados obtidos no ano de 2011.
Como podemos constatar, nenhuma empresa apontou no ano de 2011, além do que, em comparação com 2010, houve um número maior de companhias que apresentaram crescimento.
Houve aumento de 19,24% em 2011 em relação ao ano anterior, o que está relacionado ao bom momento da economia do País, ao passo que a estabilidade Foi reduzida de 25,7% para 8%.
Nenhuma empresa informou que obteve redução.

Em 2011,apenas 12% das indústrias obtiveram crescimento em seus investimentos; porem,
os 88% restantes não apresentaram queda, mantendo-se estáveis. No ano de 2010,
este número apresentou maior equilíbrio, com 47% de crescimento e 53% de
estabilidade.
Dos investimentos feitos em 2011, o departamento de maquinários foi o mais
beneficiado, obtendo investi mentos da ordem de 28%. Em seguida, está a divisão
de infraestrutura com 27%. Na sequência, marketing, com 17% , pesquisa e
desenvolvimento com 16% e Formação e
treinamento com 13%.
BOM MOMENTO ECONÔMICO IMPULSIONA O MERCADO DE
REVENDAS
Mais
de 80% das revendas obtiveram crescimento no ano de 2011.
Para 2012, 93% acreditam que expandirão seus negócios.
O
ano de 2011 pode ser considerado bom para as revendas e distribuidores de
materiais elétricos. Essa afirmação está embasada em uma pesquisa exclusiva
realizada pela Revista Lumière Electric, na qual 87% das revendas entrevistadas
informaram terem obtido crescimento em relação ao ano de 2010. Já 6%
mantiveram-se estáveis e 7% não informaram.
Para 2012, a expectativa de
crescimento é maior ainda. De todas as entrevistadas, 93% acreditam que terão
crescimento e 7% esperam permanecer estáveis. Tal credibilidade no mercado esta
relacionada ao momento econômico promissor pelo qual atravessa o País. Embora a
crise mundial influencie a indústria nacional, esse reflexo não chega a abalar
as estruturas do setor.
Cerca de 35% das empresas acreditam que terão uma elevação de até 1% a 10%. Outros 37%, esperam ter uma expansão de 11% a 20%. De acordo com dados apresentados pela Abinee, o setor de materiais de instalação deverá apresentar uma alta de 5% em 2012.
Os números positivos almejados pelo setor também estão sendo impulsionados pelo poder aquisitivo do brasileiro, que aumentou de forma significativa. Dessa maneira, as reformas e construções estão cada vez mais constantes. De acordo com o presidente da Abinee, Humberto
Barbato, a venda de materiais de instalação é contínua.
A crença no crescimento econômico do País tem motivado muitos empreendedores. Aproximadamente 80% das revendas entrevistadas estimam que o Brasil tenha um crescimento econômico de 2% a 5%, enquanto outros 16% esperam que seja acima de 5%.
Com isso, os investimentos nos negócios também devem ser impulsionados. Em 2010, 70,7% das revendas possuíam loja, ao passo que em 2011, este número subiu para 75%, refletindo um aumento em tomo de 5%. Além disso, 31% investiram em novas unidades.
A maior preocupação dos empresários está ligada á alta taxa tributária e à concorrência desleal causada pelo ingresso e permanência de produtos asiáticos importados. Dentre as empresas pesquisadas, 60% apontaram o primeiro item como o principal impacto negativo em seus negócios no ano que se passou; já 16% afirmaram que o ponto negativo é a concorrência
desleal.
Confira a pesquisa realizada com as revendas de material elétrico:
REVENDAS
Mais
de 80% das revendas obtiveram crescimento no ano de 2011.
Para 2012, 93% acreditam que expandirão seus negócios.
O
ano de 2011 pode ser considerado bom para as revendas e distribuidores de
materiais elétricos. Essa afirmação está embasada em uma pesquisa exclusiva
realizada pela Revista Lumière Electric, na qual 87% das revendas entrevistadas
informaram terem obtido crescimento em relação ao ano de 2010. Já 6%
mantiveram-se estáveis e 7% não informaram.
Para 2012, a expectativa de
crescimento é maior ainda. De todas as entrevistadas, 93% acreditam que terão
crescimento e 7% esperam permanecer estáveis. Tal credibilidade no mercado esta
relacionada ao momento econômico promissor pelo qual atravessa o País. Embora a
crise mundial influencie a indústria nacional, esse reflexo não chega a abalar
as estruturas do setor.
Cerca de 35% das empresas acreditam que terão uma elevação de até 1% a 10%. Outros 37%, esperam ter uma expansão de 11% a 20%. De acordo com dados apresentados pela Abinee, o setor de materiais de instalação deverá apresentar uma alta de 5% em 2012.
Os números positivos almejados pelo setor também estão sendo impulsionados pelo poder aquisitivo do brasileiro, que aumentou de forma significativa. Dessa maneira, as reformas e construções estão cada vez mais constantes. De acordo com o presidente da Abinee, Humberto
Barbato, a venda de materiais de instalação é contínua.
A crença no crescimento econômico do País tem motivado muitos empreendedores. Aproximadamente 80% das revendas entrevistadas estimam que o Brasil tenha um crescimento econômico de 2% a 5%, enquanto outros 16% esperam que seja acima de 5%.
Com isso, os investimentos nos negócios também devem ser impulsionados. Em 2010, 70,7% das revendas possuíam loja, ao passo que em 2011, este número subiu para 75%, refletindo um aumento em tomo de 5%. Além disso, 31% investiram em novas unidades.
A maior preocupação dos empresários está ligada á alta taxa tributária e à concorrência desleal causada pelo ingresso e permanência de produtos asiáticos importados. Dentre as empresas pesquisadas, 60% apontaram o primeiro item como o principal impacto negativo em seus negócios no ano que se passou; já 16% afirmaram que o ponto negativo é a concorrência
desleal.
Confira a pesquisa realizada com as revendas de material elétrico:
terça-feira, 6 de março de 2012
Identificação Industrial
Com a chegada da modernidade e novas tecnologias, caneta marca texto e fita adesiva foram substituídas por equipamentos que permitem a impressão, codificação e tagueamento industrial. Ainda assim, não é raro encontrarmos em uma central de Telecom ou em uma planta industrial, equipamentos identificados desta forma precária. Hoje, existem normas de ISO e 5S, que frisam a identificação e como ela deve ser feita. Não é apenas uma questão de estética, comparando-se a forma precária com etiquetas de alta tecnologia impressas para a identificação de equipamentos. Trata-se muito mais de qualidade e durabilidade, evitando-se o re-trabalho e assim, prezando pela organização e consequentemente, seguindo as normas. Para ficar mais fácil de entendermos, basta imaginar uma planta industrial de motores, por exemplo. Tais equipamentos aquecem com o trabalho, podem trabalhar junto a outros equipamentos como redutores e bombas, que podem por sua vez conter óleo entre outros produtos químicos. Neste exemplo, tanto temperatura como resistência, devem ser levados em conta na hora de se identificar equipamentos.
Para uma identificação poder trabalhar em ambientes hostis, precisa ter atributos específicos e adequados para cada tipo de ambiente. A cola é um exemplo. Se a necessidade for
identificar ambientes alimentícios, deve-se utilizar um produto com cola atóxica. No que diz respeito a ambientes que existe o contato com água ou produtos oleosos, a cola deve ser reforçada, para poder ser inserida e se manter fixada por um tempo mínimo. Onde existe abrasão e contato direto com produtos químicos, a identificação deve ser protegida, principalmente na área de escrita, com um material resistente.
Todas essas características podem ser encontradas hoje em impressoras de etiqueta e rotuladores industriais.
Estes equipamentos são fabricados para atender todo tipo de identificação industrial e predial, disponíveis com tamanhos, cores e características distintas, substituindo plaquetas de alumínio e a identificação precária, como citado no início. Se a questão for preço, deve ser feita uma boa pesquisa de preço, pois estes equipamentos oscilam em até 200%, de fabricante para
fabricante.
Hoje, a Reymaster oferece rotuladores eletrônicos e impressoras de etiqueta industriais e prediais da Brother, com preço e qualidade campeões de venda. Uma grande variedade de
modelos, para impressão de código de barras, logomarcas, tagueamento por Excel e etc, estão disponíveis em estoque imediato. Projetos em grandes empresas estão espalhados pelo Brasil, atendendo todas as expectativas. Existe um grupo de promotores técnicos prontos para especificar e analisar em campo cada necessidade. Se a questão for preço e qualidade, não deixe de consultar a Reymaster.
Willian Jacon
Promotor Técnico
Reymaster
Para uma identificação poder trabalhar em ambientes hostis, precisa ter atributos específicos e adequados para cada tipo de ambiente. A cola é um exemplo. Se a necessidade for
identificar ambientes alimentícios, deve-se utilizar um produto com cola atóxica. No que diz respeito a ambientes que existe o contato com água ou produtos oleosos, a cola deve ser reforçada, para poder ser inserida e se manter fixada por um tempo mínimo. Onde existe abrasão e contato direto com produtos químicos, a identificação deve ser protegida, principalmente na área de escrita, com um material resistente.
Todas essas características podem ser encontradas hoje em impressoras de etiqueta e rotuladores industriais.
Estes equipamentos são fabricados para atender todo tipo de identificação industrial e predial, disponíveis com tamanhos, cores e características distintas, substituindo plaquetas de alumínio e a identificação precária, como citado no início. Se a questão for preço, deve ser feita uma boa pesquisa de preço, pois estes equipamentos oscilam em até 200%, de fabricante para
fabricante.
Hoje, a Reymaster oferece rotuladores eletrônicos e impressoras de etiqueta industriais e prediais da Brother, com preço e qualidade campeões de venda. Uma grande variedade de
modelos, para impressão de código de barras, logomarcas, tagueamento por Excel e etc, estão disponíveis em estoque imediato. Projetos em grandes empresas estão espalhados pelo Brasil, atendendo todas as expectativas. Existe um grupo de promotores técnicos prontos para especificar e analisar em campo cada necessidade. Se a questão for preço e qualidade, não deixe de consultar a Reymaster.
Willian Jacon
Promotor Técnico
Reymaster
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
RETROFIT DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS
Uma oportunidade para eficiência energética, segurança e produtividade
A aplicação do termo "retrofit" vem sendo aplicado tanto na Europa quanto nos Estados Unidos desde os anos 1950, 1960 e foi incorporado com mais intensidade em nosso "vocabulário técnico", aproximadamente, 20 anos mais tarde. Uma característica interessante das práticas do retrofit nestes países foi a necessidade de se manter as características arquitetônicas centenárias, aliada ao conceito de readequação e viabilização de uso, além de valorização da própria arquitetura da edificação.
O termo está associado e é utilizado nos processos de reforma, renovação, recuperação, revitalização ou modernização e pode ser aplicado tanto edificações (e suas instalações) como a equipamentos. Naturalmente, o retrofit só tem sentido de ser aplicado quando valores são agregados ao imóvel ou aos equipamentos instalados. E aqui podemos ainda acrescentar o conceito de redução de custos operacionais, com a diminuição dos custos com manutenção dos materiais de reposição e serviços, além da redução de emissão de gases de efeito estufa e o consumo de água e energia em uma edificação.
Como o assunto não é novo, o tema pode ser desenvolvido baseado não em propostas, mas em casos reais praticados e que se tornaram públicos, tanto pela publicação de trabalhos como pela informação dos profissionais que deles participaram. Alguns pontos serão aqui apresentados e seria importante que fossem ampliados por aqueles que também tem suas histórias para contar. É necessário ainda considerar a importância e a relação do tema com as certificações referentes aos aspectos ambientais que estão ocorrendo nestes prédios (como a certificação Leed e o selo Procel).
Adequação de uso de instalações elétricas prediais
Os edifícios residenciais no Brasil, construídos desde antes da Segunda Guerra Mundial, possuem alta valorização comercial, seja pela localização, pela própria estrutura, ou ainda por razões arquitetônicas e históricas.
No tocante as instalações elétricas, estes prédios foram construídos com previsão de carga elétrica adequada para as condições da época em que foram projetados. Um bom projeto elétrico dos anos 1970, 1980, por exemplo, poderia apresentar chuveiros com potências de 1.500 W a 2.500 W, a previsão de um ponto para iluminação (em cada um dos dois quartos típicos de um apartamento) com 60 W cada um, uma tomada para geladeira e algumas tomadas para eletrodomésticos que existissem na época. Pois bem, caso estas instalações estivessem hoje ainda em suas concepções originais, o seu uso não seria mais adequado.
Outro ponto importante a destacar refere-se a forma construtiva dessas instalações, que, eventualmente, empregavam eletrodutos (se é que foram instalados) de talvez 1/2 polegada, elementos de isolamento de fiação obsoletos, divisão inadequada de circuitos, dispositivos de proteção baseados na tecnologia de fusíveis do tipo "rolha", enfim, tudo o que era possível se construir com as normas e equipamentos que eram disponibilizados e acessíveis no mercado, no período de suas concepções.
O retrofit irá considerar, portanto, a capacitação dessas instalações para o uso atual, com intervenções na entrada de energia, nos alimentadores (eventual troca de cabos por barramentos blindados), nos novos quadros de distribuição e terminais, assim como nova distribuição de circuitos terminais. Vale também ser feita a revisão dos acionamentos das bombas e da tecnologia dos elevadores. Esta situação torna-se dramática quando o edifício tem seu uso modificado, passando a exercer a função de prédio comercial contemplando a presença de cargas de tecnologia de informação, ar-condicionado e outras de viral importância para a operação segura do prédio.
Edifícios comerciais
Até meados da década de 1980, os edifícios comerciais tinham como principais cargas os sistemas de iluminação fluorescentes, com lâmpadas do tipo T12 (de 40 W, conhecidas e ainda presentes em nossas instalações, ou ainda as lâmpadas HO). Possuíam também sistemas de ar-condicionado, que se fossem do tipo central eram refrigerados por fluidos com presença de CFC, hoje de uso extinto pelo protocolo de Montreal. Outras cargas presentes eram as bombas (sempre sobredimensionadas apresentando perdas importantes) e elevadores com sistemas de baixa eficiência energética. As tomadas de uso geral tinham aplicação restrita e as máquinas de escrever apresentavam baixa potência elétrica, além de outras aplicações sem importância do ponto de vista da carga elétrica.
Alguns prédios possuíam, a exemplo das indústrias, bancos de capacitores que foram instalados quando as concessionárias passaram a cobrar a energia reativa dos consumidores com fatores de potência menores que 85%, mas, posteriormente, no início dos anos 1990, este limite foi incrementado para 92%.
O sensível aumento da carga elétrica, em função do uso massivo de cargas de tecnologia de informação nos escritórios, assim como o aumento da densidade de ocupação destes prédios e os conhecidos aspectos de eficiência energética e sustentabilidade, motivou os administradores e empresas que ocupam estes edifícios a buscarem a solução do retrofit.
Exemplos comuns de retrofits de sistemas relacionados à adequação de instalações elétricas, eficiência energética e aspectos ambientais.
Instalações elétricas:
• Readequação de prumadas com uso de novos condutos para os novos circuitos de distribuição ou barramentos blindados; cuidados especiais na adequação dos condutores neutro destes circuitos, devido à presença das harmônicas e de cargas não lineares;
• Adequação de sistemas de aterramento e proteção, e uso de dispositivos diferenciais residuais e de proteção de surtos (DR e DPS);
• Readequação de subestações com o uso de transformadores a seco e bancos de capacitores adequados à presença de harmônicas e cargas rápidas. Novos instrumentos de medição nos painéis elétricos principais, proporcionando ao pessoal de operação e de manutenção informações importantes, como comportamento das outras variáveis elétricas, além das tradicionais tensões e correntes, captura de curva de carga, indicadores de qualidade de energia e harmônicas, e até a avaliação do comportamento da qualidade do fornecimento pela concessionária na entrada de energia, e mesmo na identificação de soluções de problemas;
• Atendimento dos painéis elétricos e outras partes da instalação às novas regulamentações de segurança e à NR 10. Atendimento às normas técnicas ABNT NBR 5410 e ABNT NBR 14039;
• Implantação de medições setorizadas para rateio de energia por principais áreas de consumo;
• Readequação de circuitos associados às novas exigências das cargas.
Instalações hidráulicas e gás:
• Controle do uso de água na edificação, instalação de medidores individuais, aparelhos mais eficientes, substituição de prumadas e ramais corroídos ou subdimensionados;
• Correções de vazamentos, uso de aparelhos sanitários e controles mais eficientes;
• Instalação de sistemas de água de reúso;
• Retiradas dos botijões de GLP dos pavimentos e alimentação por rede de concessionária. Uso de aparelhos mais eficientes.
Sistemas de iluminação:
Considerando-se que um sistema de iluminação é composto por luminária, lâmpada e dispositivo de controle (salvo exceção da lâmpada incandescente que pode não possuir dispositivo de controle), o retrofit deve considerar a intervenção nos três componentes - ou quatro, se considerarmos a intervenção no projeto luminotécnico. Cabem aqui algumas observações:
• Análise da aplicabilidade das fontes de luz (lâmpadas) às tarefas visuais;
• Uso de luminárias eficientes e adequadas ao uso (por exemplo, com aparatos de controle de ofuscamento) e utilização de reatores e controles de baixas perdas integrados a sistemas de automação.
• Análise da oportunidade de redução de energia para um mesmo processo (lâmpadas fluorescentes modernas atingem mais de 100 Im/W), considerando diminuição dos custos de operação e aspectos ambientais, como o custo do processo de reciclagem das lâmpadas e menor quantidade de metais pesados nas novas tecnologias. Atentar para as tecnologias que estão chegando, como os Leds e outro tipo de controles, como lâmpadas a vapor de sódio e a vapor metálico com reatores eletrônicos dimerizáveis.
Acionamentos, motores e bombas:
Novos sistemas de acionamento associados a motores de alto rendimento são boas oportunidades de redução de energia e projetos de eficiência energética. Bombas superdimensionadas devem ser trocadas e vale ressaltar que esta substituição possui rápido tempo de retorno, pois seus custos operacionais são muito superiores aos de aquisição.
Elevadores:
Elevadores em grandes prédios comerciais com modernos sistemas de acionamento são boas ferramentas para projetos de eficiência energética.
Sistemas centrais de ar-condicionado:
A substituição de sistemas centrais de ar-condicionado por outros com tecnologias atualizadas, além do uso de gases refrigerantes adequados a todos os protocolos ambientais, é outra oportunidade interessante.
Implantação de sistemas de automação e gestão predial:
A automação predial é aplicada no controle de diversos processos, de forma a garantir que o uso da instalação e estes processos tenham sido feitos da forma programada e estabelecida, tratando-se de um importante complemento. Ainda é possível projetar controles com inteligência própria e lógica do tipo "If-then", além de controles de segurança física e patrimonial, como sensores, detectores, câmeras, catracas, etc. A automação coroa todo o retrofit, uma vez que os projetos implantados dependem de uma importante participação dos sistemas automáticos e de controle.
Por José Starosta
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 65 junho de 2011
A aplicação do termo "retrofit" vem sendo aplicado tanto na Europa quanto nos Estados Unidos desde os anos 1950, 1960 e foi incorporado com mais intensidade em nosso "vocabulário técnico", aproximadamente, 20 anos mais tarde. Uma característica interessante das práticas do retrofit nestes países foi a necessidade de se manter as características arquitetônicas centenárias, aliada ao conceito de readequação e viabilização de uso, além de valorização da própria arquitetura da edificação.
O termo está associado e é utilizado nos processos de reforma, renovação, recuperação, revitalização ou modernização e pode ser aplicado tanto edificações (e suas instalações) como a equipamentos. Naturalmente, o retrofit só tem sentido de ser aplicado quando valores são agregados ao imóvel ou aos equipamentos instalados. E aqui podemos ainda acrescentar o conceito de redução de custos operacionais, com a diminuição dos custos com manutenção dos materiais de reposição e serviços, além da redução de emissão de gases de efeito estufa e o consumo de água e energia em uma edificação.
Como o assunto não é novo, o tema pode ser desenvolvido baseado não em propostas, mas em casos reais praticados e que se tornaram públicos, tanto pela publicação de trabalhos como pela informação dos profissionais que deles participaram. Alguns pontos serão aqui apresentados e seria importante que fossem ampliados por aqueles que também tem suas histórias para contar. É necessário ainda considerar a importância e a relação do tema com as certificações referentes aos aspectos ambientais que estão ocorrendo nestes prédios (como a certificação Leed e o selo Procel).
Adequação de uso de instalações elétricas prediais
Os edifícios residenciais no Brasil, construídos desde antes da Segunda Guerra Mundial, possuem alta valorização comercial, seja pela localização, pela própria estrutura, ou ainda por razões arquitetônicas e históricas.
No tocante as instalações elétricas, estes prédios foram construídos com previsão de carga elétrica adequada para as condições da época em que foram projetados. Um bom projeto elétrico dos anos 1970, 1980, por exemplo, poderia apresentar chuveiros com potências de 1.500 W a 2.500 W, a previsão de um ponto para iluminação (em cada um dos dois quartos típicos de um apartamento) com 60 W cada um, uma tomada para geladeira e algumas tomadas para eletrodomésticos que existissem na época. Pois bem, caso estas instalações estivessem hoje ainda em suas concepções originais, o seu uso não seria mais adequado.
Outro ponto importante a destacar refere-se a forma construtiva dessas instalações, que, eventualmente, empregavam eletrodutos (se é que foram instalados) de talvez 1/2 polegada, elementos de isolamento de fiação obsoletos, divisão inadequada de circuitos, dispositivos de proteção baseados na tecnologia de fusíveis do tipo "rolha", enfim, tudo o que era possível se construir com as normas e equipamentos que eram disponibilizados e acessíveis no mercado, no período de suas concepções.
O retrofit irá considerar, portanto, a capacitação dessas instalações para o uso atual, com intervenções na entrada de energia, nos alimentadores (eventual troca de cabos por barramentos blindados), nos novos quadros de distribuição e terminais, assim como nova distribuição de circuitos terminais. Vale também ser feita a revisão dos acionamentos das bombas e da tecnologia dos elevadores. Esta situação torna-se dramática quando o edifício tem seu uso modificado, passando a exercer a função de prédio comercial contemplando a presença de cargas de tecnologia de informação, ar-condicionado e outras de viral importância para a operação segura do prédio.
Edifícios comerciais
Até meados da década de 1980, os edifícios comerciais tinham como principais cargas os sistemas de iluminação fluorescentes, com lâmpadas do tipo T12 (de 40 W, conhecidas e ainda presentes em nossas instalações, ou ainda as lâmpadas HO). Possuíam também sistemas de ar-condicionado, que se fossem do tipo central eram refrigerados por fluidos com presença de CFC, hoje de uso extinto pelo protocolo de Montreal. Outras cargas presentes eram as bombas (sempre sobredimensionadas apresentando perdas importantes) e elevadores com sistemas de baixa eficiência energética. As tomadas de uso geral tinham aplicação restrita e as máquinas de escrever apresentavam baixa potência elétrica, além de outras aplicações sem importância do ponto de vista da carga elétrica.
Alguns prédios possuíam, a exemplo das indústrias, bancos de capacitores que foram instalados quando as concessionárias passaram a cobrar a energia reativa dos consumidores com fatores de potência menores que 85%, mas, posteriormente, no início dos anos 1990, este limite foi incrementado para 92%.
O sensível aumento da carga elétrica, em função do uso massivo de cargas de tecnologia de informação nos escritórios, assim como o aumento da densidade de ocupação destes prédios e os conhecidos aspectos de eficiência energética e sustentabilidade, motivou os administradores e empresas que ocupam estes edifícios a buscarem a solução do retrofit.
Exemplos comuns de retrofits de sistemas relacionados à adequação de instalações elétricas, eficiência energética e aspectos ambientais.
Instalações elétricas:
• Readequação de prumadas com uso de novos condutos para os novos circuitos de distribuição ou barramentos blindados; cuidados especiais na adequação dos condutores neutro destes circuitos, devido à presença das harmônicas e de cargas não lineares;
• Adequação de sistemas de aterramento e proteção, e uso de dispositivos diferenciais residuais e de proteção de surtos (DR e DPS);
• Readequação de subestações com o uso de transformadores a seco e bancos de capacitores adequados à presença de harmônicas e cargas rápidas. Novos instrumentos de medição nos painéis elétricos principais, proporcionando ao pessoal de operação e de manutenção informações importantes, como comportamento das outras variáveis elétricas, além das tradicionais tensões e correntes, captura de curva de carga, indicadores de qualidade de energia e harmônicas, e até a avaliação do comportamento da qualidade do fornecimento pela concessionária na entrada de energia, e mesmo na identificação de soluções de problemas;
• Atendimento dos painéis elétricos e outras partes da instalação às novas regulamentações de segurança e à NR 10. Atendimento às normas técnicas ABNT NBR 5410 e ABNT NBR 14039;
• Implantação de medições setorizadas para rateio de energia por principais áreas de consumo;
• Readequação de circuitos associados às novas exigências das cargas.
Instalações hidráulicas e gás:
• Controle do uso de água na edificação, instalação de medidores individuais, aparelhos mais eficientes, substituição de prumadas e ramais corroídos ou subdimensionados;
• Correções de vazamentos, uso de aparelhos sanitários e controles mais eficientes;
• Instalação de sistemas de água de reúso;
• Retiradas dos botijões de GLP dos pavimentos e alimentação por rede de concessionária. Uso de aparelhos mais eficientes.
Sistemas de iluminação:
Considerando-se que um sistema de iluminação é composto por luminária, lâmpada e dispositivo de controle (salvo exceção da lâmpada incandescente que pode não possuir dispositivo de controle), o retrofit deve considerar a intervenção nos três componentes - ou quatro, se considerarmos a intervenção no projeto luminotécnico. Cabem aqui algumas observações:
• Análise da aplicabilidade das fontes de luz (lâmpadas) às tarefas visuais;
• Uso de luminárias eficientes e adequadas ao uso (por exemplo, com aparatos de controle de ofuscamento) e utilização de reatores e controles de baixas perdas integrados a sistemas de automação.
• Análise da oportunidade de redução de energia para um mesmo processo (lâmpadas fluorescentes modernas atingem mais de 100 Im/W), considerando diminuição dos custos de operação e aspectos ambientais, como o custo do processo de reciclagem das lâmpadas e menor quantidade de metais pesados nas novas tecnologias. Atentar para as tecnologias que estão chegando, como os Leds e outro tipo de controles, como lâmpadas a vapor de sódio e a vapor metálico com reatores eletrônicos dimerizáveis.
Acionamentos, motores e bombas:
Novos sistemas de acionamento associados a motores de alto rendimento são boas oportunidades de redução de energia e projetos de eficiência energética. Bombas superdimensionadas devem ser trocadas e vale ressaltar que esta substituição possui rápido tempo de retorno, pois seus custos operacionais são muito superiores aos de aquisição.
Elevadores:
Elevadores em grandes prédios comerciais com modernos sistemas de acionamento são boas ferramentas para projetos de eficiência energética.
Sistemas centrais de ar-condicionado:
A substituição de sistemas centrais de ar-condicionado por outros com tecnologias atualizadas, além do uso de gases refrigerantes adequados a todos os protocolos ambientais, é outra oportunidade interessante.
Implantação de sistemas de automação e gestão predial:
A automação predial é aplicada no controle de diversos processos, de forma a garantir que o uso da instalação e estes processos tenham sido feitos da forma programada e estabelecida, tratando-se de um importante complemento. Ainda é possível projetar controles com inteligência própria e lógica do tipo "If-then", além de controles de segurança física e patrimonial, como sensores, detectores, câmeras, catracas, etc. A automação coroa todo o retrofit, uma vez que os projetos implantados dependem de uma importante participação dos sistemas automáticos e de controle.
Por José Starosta
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 65 junho de 2011
A ENERGIA QUE VEM DO SOL
Sistema fotovoltaico é aposta de empresários e pesquisadores entusiastas das fontes renováveis de energia.
O Brasil será o sétimo maior mercado consumidor de energia em 2030 e, para atender ao crescimento da demanda brasileira, estimada em 3,3% ao ano nas próximas duas décadas, serão necessários investimentos da ordem de US$ 750 bilhões. É o que diz o estudo
“Brasil Sustentável - Desafios do Mercado de Energia", produção conjunta da Ernst Young Brasil e da Fundação Getúlio Vargas Projetos.
O sócio da Ernst Young, José Carlos Pinto, destaca que a oferta de energia competitiva e de qualidade é um requisito imprescindível para o crescimento econômico sustentável. "Analisar o desempenho do setor é crucial para visualizar as oportunidades e os obstáculos que se apresentarão nas próximas décadas. As projeções e os cenários apontados no estudo são importantes para o planejamento das empresas, do governo e para entender as transformações pelas quais passará a demanda de energia no Brasil e no mundo", afirma o executivo.
E quando se fala em qualidade, cada vez mais o que estará em yoga é a questão da sustentabilidade. O desafio é suprir a demanda de energia necessária para o crescimento do país com menos impacto ambiental e social possível. Nesse sentido, a ainda incipiente energia fotovoltaica seria uma das soluções plausíveis em um país em que os índices de incidência solar são favoráveis à sua implantação, não apenas em regiões afastadas, mas como complemento à própria rede. É sob esta perspectiva que a Memória da Eletricidade deste mês aborda a história da energia solar e como ela vem se desenvolvendo no Brasil.
Da luz às placas de silício
A história oficial da energia solar tem inicio em 1839, quando o efeito fotovoltaico foi observado pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel. Na época, o físico conduzia experiências eletroquímicas quando, por acaso, verificou que a exposição à luz de elétrodos de platina ou de prata dava origem ao efeito fotovoltaico. Novamente o acaso exerceu papel coadjuvante, quando foi construída a primeira célula fotovoltaica com selênio, por Willoughby Smith, em 1873.
Na sequência desta descoberta, Willian Adams e o seu aluno Richard Day desenvolveram, em 1877, o primeiro dispositivo sólido de fotoprodução de eletricidade formado por um filme de selênio depositado em substrato de ferro, em que um filme de ouro muito fino servia de contato frontal. Este dispositivo apresentava uma eficiência de conversão de aproximadamente 0,5%. Em 1883, Charles Fritts aperfeiçoou o dispositivo, inserindo várias camadas de selênio e obtendo eficiência de 1%.
Em 1940, Russel Ohl inventou a primeira placa solar de silício, porém, foi somente em 1954 que Calvin Fuller e Gerald Pearson desenvolveram o processo de dopagem de silício, nos Laboratórios Bell, localizado em Murray Hill (EUA). Pearson, seguindo instruções de Fuller, produziu uma junção p-n ou díodo, mergulhando num banho de lítio uma barra de silício dopado com um elemento doador eletrônico. Ao caracterizar eletricamente a amostra, Pearson descobriu que esta exibia um comportamento fotovoltaico. A descoberta foi compartilhada com Daryl Chapin, que na época trabalhava em uma alternativa de energia para baterias elétricas que alimentavam redes telefônicas remotas. Mais tarde, com o intuito de superar problemas técnicos, Fuller dopou silício primeiro com arsênio e depois com boro, obtendo células que exibiam eficiências recorde de cerca de 6%.
Em 1954, a primeira célula solar foi formalmente apresentada na reunião anual da National Academy of Sciences, em Washington (EUA). Em 1955, a célula de silício foi aplicada pela primeira vez como fonte de alimentação de uma rede telefônica em Americus, na Geórgia.
A princípio, a energia fotovoltaica ficou restrita a utilizações em locais onde não havia energia da rede e à alimentação de satélites e sondas espaciais. "A corrida espacial, de certa forma, ajudou no aperfeiçoamento do sistema fotovoltaico porque os primeiros satélites funcionavam à base de baterias que simplesmente acabavam depois de um tempo. A segunda geração de satélites passou a funcionar 100% com energia fotovoltaica. O processo era caro e durante muito tempo ficou restrito a esta área", explica o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Ricardo Ruther.
O primeiro satélite alimentado por energia solar, denominado Vanguard I, foi enviado ao espaço em março de 1958 e encontra-se em órbita até hoje.
Energia renovável
Quando se fala em energia solar, três fatores se destacam no seu uso: a capacidade de renovação, o menor impacto ambiental e a viabilidade de gerá-Ia a partir do ponto de consumo, em lajes, coberturas, etc. Este ultimo fator é responsável por vantagens importantes da energia solar como evitar o desperdício por transmissão e distribuição. "Apesar de o Brasil ser muito bom neste quesito, apenas 7% de nossa energia é perdida no processo de distribuição, temos que investir muito para que a energia saia dos centros de geração e chegue até nossas casas, o que não é necessário no caso da energia solar", explica Ruther.
O professor também explica a principal diferença no uso direto da energia solar e que costuma gerar certa confusão entre os leigos. Uma das maneiras de utilizar a energia do sol é por meio de coletores térmicos que transformam a luz do sol em calor para aquecimento de água. "Esta tecnologia é multo simples em relação a que utilizamos para de fato gerarmos energia", diz o professor.
A segunda maneira é converter a energia solar diretamente em energia elétrica, utilizando células fotovoltaicas revestidas de semicondutores que, ao absorver luz, produzem uma pequena corrente elétrica.
Para se ter idéia do potencial fotovoltaico brasileiro, se fossem coberto apenas 0,04% de todo território nacional com placas fotovoltaicas, o sistema atenderia a 100% do consumo do país.
Devido aos elevados custos de fabricação e manutenção, a utilização da energia solar ainda não oferece vantagem para uso comercial no Brasil. O que se tem hoje são aplicações em universidades, centros de pesquisa e algumas distribuidoras com a finalidade de observar seu funcionamento.
A maior parte da energia gerada por sistema fotovoltaico ainda é tímida e isolada no país, a exemplo do projeto Luz para Todos, do governo federal, que cumpre seu papel de levar eletricidade para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural. Porém, isso é algo que deve mudar nos próximos anos. Segundo o professor Ricardo Ruther, o grande empecilho à popularização da Fonte é o alto custo da energia solar, que inicialmente também foi um problema em países que hoje já a empregam de forma mais extensa. Esta suavização dos preços deu-se graças a incentivos de fomento à indústria e à conscientização da busca por energia renovável. Hoje, ela já tem papel importante na matriz energética de países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão, lideres no desenvolvimento e utilização desta tecnologia.
"A realidade da energia fotovoltaica no mundo é de crescimento. E quanta maior a demanda, maior é a tendência de que os preços de seus compostos e do valor da energia solar caiam, à medida que forem ocupando maior papel no mercado", afirma Ruther.
A titulo de curiosidade, cada MW/hora gerado a partir do sol custa entre R$ 450 e R$ 500, dependendo
da tecnologia. A energia de hidrelétrica não passa de R$ 100. O preço da eólica e da energia térmica é da ordem de R$ 140 e a nuclear R$ 150. A energia térmica tem uma variação maior de preço, mas está na faixa da eólica.
Outro aspecto que tem impedido a energia fotovoltaica de crescer no Brasil é o pouco conhecimento que os profissionais do setor tem sobre a tecnologia. "Das instalações que temos hoje 90% foram realizadas nos últimos cinco anos e ainda é muito recente. Por isso que a academia e a indústria estão empenhadas em pressionar o governo para fomentar a energia fotovoltaica em nosso país", ressalta o professor.
Silício de grau solar
Ruther também chama a atenção para o fato de o país ser um dos grandes produtores de silício do mundo, mas apenas exporta o mineral, quando poderia agregar valor ao negócio, produzindo o Silício de Grau Solar (SiGS), utilizado nas placas fotovoltaicas.
Segundo dados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o Brasil, como um dos maiores produtores mundiais de silício de grau metalúrgico, com capacidade de produção de aproximadamente 200 mil t/ano, tem possibilidade de agregar valor a este produto que atualmente é comercializado por preços de aproximadamente US$ 1,5 por quilo, podendo passar para cerca de US$ 30 a US$ 60 por quilo, dependendo da qualidade do produto produzido.
Além disso, com o estabelecimento de uma indústria produtora da principal matéria-prima empregada na produção de células solares fotovoltaicas, haverá condições favoráveis para projetos de implantação e expansão de indústrias fabricantes de céluIas e painéis solares fotovoltaicos no Brasil.
Ainda com fonte em dados do IPT, o crescimento da demanda de silício de grau solar é decorrente da necessidade de substituição de energias baseadas em combustíveis fósseis por energias mais limpas e renováveis, no sentido de cumprimento de metas de redução das emissões de CO2. Assim, o mercado de energia solar fotovoltaica tem crescido, em média, a taxas superiores a 40% ao ano nos últimos dez anos e, em 2009, o crescimento foi de 52%.
Apesar de o custo da energia solar ainda ser elevado, ele vem caindo significativamente nos últimos anos e, segundo previsões, em um futuro não muito distante (2020/2030), a energia solar fotovoltaica terá custos competitivos com as fontes tradicionais de energia.
Em 2009, o consumo de silício na indústria solar fotovoltaica foi superior a 100.000 t e as perspectivas de crescimento do consumo do silício de grau solar (SiGS) indicam um consumo superior a 200.000 t em 2020, representando um mercado de aproximadamente US$ 5 bilhões, mesmo considerando taxas de crescimento modestas.
Fomento à indústria
Em agosto de 2010, um grupo de cinco empresas participou de uma reunião inter-ministerial na sede do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com o objetivo de apresentar a intenção de compor um grupo setorial no âmbito da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com a proposta de criação do Programa Brasileiro para o Estabelecimento do Setor Fotovoltaico.
O Grupo Setorial (GS) obteve grande adesão e suporte por parte das empresas que compõem o emergente segmento fotovoltaico no Brasil, congregando hoje 60 empresas dos diferentes segmentos de sua cadeia de valor. Desde fevereiro deste ano, o GS conta com uma diretoria e quatro grupos de trabalho (GT): GT Leilão, GT Mercado, GT Tributário e GT Inversores/Normas.
Segundo o presidente do GS, Leônidas Andrade, é possível dizer que já há no Brasil uma indústria emergente e ativa ligada ao setor fotovoltaico, produzindo inversores, controladores de carga, estruturas de alumínio, gabinetes, além de cabos e conectores.
AIém disso, Andrade fala sobre o ressurgimento das primeiras empresas produzindo móduIos fotovoltaicos com o sentido de ampliar e verticalizar a sua produção, tão logo haja demanda que justifique investimentos adicionais. Segundo documentos do grupo, outros projetos para fabricação de células e módulos estão em plena fase de desenvolvimento, esperando apenas por uma sinalização mais firme que justifique os seus investimentos.
Com presença especial na edição 2011 da Feira Internacional da Indústria Elétrica, Energia e Automação (Fiee), em que 18 empresas apresentaram produtos desenvolvidos para o setor, Andrade afirma: "apesar de a indústria brasileira ainda ser embrionária, o interesse pelo fotovoltaico é grande e impulsionou a criação do grupo, cuja missão é discutir a indústria fotovoltaica como uma das formas de energia que se tornará cada vez mais competitiva no mundo", prevê.
Planta piloto instalada na sede da Eletrosul, em Florianópolis (SC)
Além de fomentar discussões, o GS também visa a fortalecer a necessidade de o Brasil ter uma indústria instalada e pronta para suprir a própria demanda nacional, quando a energia fotovoltaica estiver estabelecida no país, além de se tornar exportadora. É neste sentido que o governo deve entrar como parceiro desta indústria que nasce com um mercado promissor em vista.
"Nós levantamos que programas de energia solar fotovoltaica dos países desenvolvidos tem por prioridade movimentar suas economias por meio de índices estratégicos de nacionalização de sistemas fotovoltaicos, estimulando a criação de indústrias e, sobretudo, gerando empregos de valor agregado. Para se ter no Brasil mercado fotovoltaico sustentável e de larga escala é preciso instituir programa de incentivo ao estabelecimento de fábricas de equipamentos no Brasil", afirma Andrade.
O presidente do GS finaliza realizando um paralelo entre a política industrial para equipamentos eficientes e a concreta adoção das tecnologias renováveis na matriz energética brasileira.
Para Andrade, tendo em vista o papel complementar e estratégico das fontes alternativas e renováveis, e entendendo a diretriz do Governo para o setor elétrico de diversificação da matriz energética, essas fontes continuarão a ser estimuladas em consonância com os procedimentos estabelecidos pelo novo modelo do setor elétrico. Entretanto, esse estímulo deverá vir acompanhado de uma política industrial que promova o desenvolvimento nacional da cadeia produtiva das tecnologias dessas fontes, pois a indústria nacional de equipamentos ainda precisa ser desenvolvida, a fim de se obter redução de custos e ganho de escala.
Com este cenário de crescimento e de fortalecimento das energias renováveis, é possível afirmar que a energia solar é uma das formas de geração de eletricidade que deve crescer substancialmente nas próximas décadas e vem com a missão de auxiliar um dos grandes desafios deste milênio que é suprir a necessidade de energia de forma sustentável.
O principal obstáculo a ser superado neste momento é fazer o equipamento necessário a geração da energia solar tornar-se mais barato e acessível. Na opinião de Andrade, o governo precisa fazer sua parte, subsidiando este tipo de investimento e vendo a energia solar não apenas como um sistema para ser usado em locais isolados, mas para complementar a demanda em rede.
Por Luciana Mendonça
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 65 junho de 2011
O Brasil será o sétimo maior mercado consumidor de energia em 2030 e, para atender ao crescimento da demanda brasileira, estimada em 3,3% ao ano nas próximas duas décadas, serão necessários investimentos da ordem de US$ 750 bilhões. É o que diz o estudo
“Brasil Sustentável - Desafios do Mercado de Energia", produção conjunta da Ernst Young Brasil e da Fundação Getúlio Vargas Projetos.
O sócio da Ernst Young, José Carlos Pinto, destaca que a oferta de energia competitiva e de qualidade é um requisito imprescindível para o crescimento econômico sustentável. "Analisar o desempenho do setor é crucial para visualizar as oportunidades e os obstáculos que se apresentarão nas próximas décadas. As projeções e os cenários apontados no estudo são importantes para o planejamento das empresas, do governo e para entender as transformações pelas quais passará a demanda de energia no Brasil e no mundo", afirma o executivo.
E quando se fala em qualidade, cada vez mais o que estará em yoga é a questão da sustentabilidade. O desafio é suprir a demanda de energia necessária para o crescimento do país com menos impacto ambiental e social possível. Nesse sentido, a ainda incipiente energia fotovoltaica seria uma das soluções plausíveis em um país em que os índices de incidência solar são favoráveis à sua implantação, não apenas em regiões afastadas, mas como complemento à própria rede. É sob esta perspectiva que a Memória da Eletricidade deste mês aborda a história da energia solar e como ela vem se desenvolvendo no Brasil.
Da luz às placas de silício
A história oficial da energia solar tem inicio em 1839, quando o efeito fotovoltaico foi observado pelo físico francês Alexandre Edmond Becquerel. Na época, o físico conduzia experiências eletroquímicas quando, por acaso, verificou que a exposição à luz de elétrodos de platina ou de prata dava origem ao efeito fotovoltaico. Novamente o acaso exerceu papel coadjuvante, quando foi construída a primeira célula fotovoltaica com selênio, por Willoughby Smith, em 1873.
Na sequência desta descoberta, Willian Adams e o seu aluno Richard Day desenvolveram, em 1877, o primeiro dispositivo sólido de fotoprodução de eletricidade formado por um filme de selênio depositado em substrato de ferro, em que um filme de ouro muito fino servia de contato frontal. Este dispositivo apresentava uma eficiência de conversão de aproximadamente 0,5%. Em 1883, Charles Fritts aperfeiçoou o dispositivo, inserindo várias camadas de selênio e obtendo eficiência de 1%.
Em 1940, Russel Ohl inventou a primeira placa solar de silício, porém, foi somente em 1954 que Calvin Fuller e Gerald Pearson desenvolveram o processo de dopagem de silício, nos Laboratórios Bell, localizado em Murray Hill (EUA). Pearson, seguindo instruções de Fuller, produziu uma junção p-n ou díodo, mergulhando num banho de lítio uma barra de silício dopado com um elemento doador eletrônico. Ao caracterizar eletricamente a amostra, Pearson descobriu que esta exibia um comportamento fotovoltaico. A descoberta foi compartilhada com Daryl Chapin, que na época trabalhava em uma alternativa de energia para baterias elétricas que alimentavam redes telefônicas remotas. Mais tarde, com o intuito de superar problemas técnicos, Fuller dopou silício primeiro com arsênio e depois com boro, obtendo células que exibiam eficiências recorde de cerca de 6%.
Em 1954, a primeira célula solar foi formalmente apresentada na reunião anual da National Academy of Sciences, em Washington (EUA). Em 1955, a célula de silício foi aplicada pela primeira vez como fonte de alimentação de uma rede telefônica em Americus, na Geórgia.
A princípio, a energia fotovoltaica ficou restrita a utilizações em locais onde não havia energia da rede e à alimentação de satélites e sondas espaciais. "A corrida espacial, de certa forma, ajudou no aperfeiçoamento do sistema fotovoltaico porque os primeiros satélites funcionavam à base de baterias que simplesmente acabavam depois de um tempo. A segunda geração de satélites passou a funcionar 100% com energia fotovoltaica. O processo era caro e durante muito tempo ficou restrito a esta área", explica o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Ricardo Ruther.
O primeiro satélite alimentado por energia solar, denominado Vanguard I, foi enviado ao espaço em março de 1958 e encontra-se em órbita até hoje.
Energia renovável
Quando se fala em energia solar, três fatores se destacam no seu uso: a capacidade de renovação, o menor impacto ambiental e a viabilidade de gerá-Ia a partir do ponto de consumo, em lajes, coberturas, etc. Este ultimo fator é responsável por vantagens importantes da energia solar como evitar o desperdício por transmissão e distribuição. "Apesar de o Brasil ser muito bom neste quesito, apenas 7% de nossa energia é perdida no processo de distribuição, temos que investir muito para que a energia saia dos centros de geração e chegue até nossas casas, o que não é necessário no caso da energia solar", explica Ruther.
O professor também explica a principal diferença no uso direto da energia solar e que costuma gerar certa confusão entre os leigos. Uma das maneiras de utilizar a energia do sol é por meio de coletores térmicos que transformam a luz do sol em calor para aquecimento de água. "Esta tecnologia é multo simples em relação a que utilizamos para de fato gerarmos energia", diz o professor.
A segunda maneira é converter a energia solar diretamente em energia elétrica, utilizando células fotovoltaicas revestidas de semicondutores que, ao absorver luz, produzem uma pequena corrente elétrica.
Para se ter idéia do potencial fotovoltaico brasileiro, se fossem coberto apenas 0,04% de todo território nacional com placas fotovoltaicas, o sistema atenderia a 100% do consumo do país.
Devido aos elevados custos de fabricação e manutenção, a utilização da energia solar ainda não oferece vantagem para uso comercial no Brasil. O que se tem hoje são aplicações em universidades, centros de pesquisa e algumas distribuidoras com a finalidade de observar seu funcionamento.
A maior parte da energia gerada por sistema fotovoltaico ainda é tímida e isolada no país, a exemplo do projeto Luz para Todos, do governo federal, que cumpre seu papel de levar eletricidade para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural. Porém, isso é algo que deve mudar nos próximos anos. Segundo o professor Ricardo Ruther, o grande empecilho à popularização da Fonte é o alto custo da energia solar, que inicialmente também foi um problema em países que hoje já a empregam de forma mais extensa. Esta suavização dos preços deu-se graças a incentivos de fomento à indústria e à conscientização da busca por energia renovável. Hoje, ela já tem papel importante na matriz energética de países como Alemanha, Espanha, Estados Unidos e Japão, lideres no desenvolvimento e utilização desta tecnologia.
"A realidade da energia fotovoltaica no mundo é de crescimento. E quanta maior a demanda, maior é a tendência de que os preços de seus compostos e do valor da energia solar caiam, à medida que forem ocupando maior papel no mercado", afirma Ruther.
A titulo de curiosidade, cada MW/hora gerado a partir do sol custa entre R$ 450 e R$ 500, dependendo
da tecnologia. A energia de hidrelétrica não passa de R$ 100. O preço da eólica e da energia térmica é da ordem de R$ 140 e a nuclear R$ 150. A energia térmica tem uma variação maior de preço, mas está na faixa da eólica.
Outro aspecto que tem impedido a energia fotovoltaica de crescer no Brasil é o pouco conhecimento que os profissionais do setor tem sobre a tecnologia. "Das instalações que temos hoje 90% foram realizadas nos últimos cinco anos e ainda é muito recente. Por isso que a academia e a indústria estão empenhadas em pressionar o governo para fomentar a energia fotovoltaica em nosso país", ressalta o professor.
Silício de grau solar
Ruther também chama a atenção para o fato de o país ser um dos grandes produtores de silício do mundo, mas apenas exporta o mineral, quando poderia agregar valor ao negócio, produzindo o Silício de Grau Solar (SiGS), utilizado nas placas fotovoltaicas.
Segundo dados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), o Brasil, como um dos maiores produtores mundiais de silício de grau metalúrgico, com capacidade de produção de aproximadamente 200 mil t/ano, tem possibilidade de agregar valor a este produto que atualmente é comercializado por preços de aproximadamente US$ 1,5 por quilo, podendo passar para cerca de US$ 30 a US$ 60 por quilo, dependendo da qualidade do produto produzido.
Além disso, com o estabelecimento de uma indústria produtora da principal matéria-prima empregada na produção de células solares fotovoltaicas, haverá condições favoráveis para projetos de implantação e expansão de indústrias fabricantes de céluIas e painéis solares fotovoltaicos no Brasil.
Ainda com fonte em dados do IPT, o crescimento da demanda de silício de grau solar é decorrente da necessidade de substituição de energias baseadas em combustíveis fósseis por energias mais limpas e renováveis, no sentido de cumprimento de metas de redução das emissões de CO2. Assim, o mercado de energia solar fotovoltaica tem crescido, em média, a taxas superiores a 40% ao ano nos últimos dez anos e, em 2009, o crescimento foi de 52%.
Apesar de o custo da energia solar ainda ser elevado, ele vem caindo significativamente nos últimos anos e, segundo previsões, em um futuro não muito distante (2020/2030), a energia solar fotovoltaica terá custos competitivos com as fontes tradicionais de energia.
Em 2009, o consumo de silício na indústria solar fotovoltaica foi superior a 100.000 t e as perspectivas de crescimento do consumo do silício de grau solar (SiGS) indicam um consumo superior a 200.000 t em 2020, representando um mercado de aproximadamente US$ 5 bilhões, mesmo considerando taxas de crescimento modestas.
Fomento à indústria
Em agosto de 2010, um grupo de cinco empresas participou de uma reunião inter-ministerial na sede do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com o objetivo de apresentar a intenção de compor um grupo setorial no âmbito da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com a proposta de criação do Programa Brasileiro para o Estabelecimento do Setor Fotovoltaico.
O Grupo Setorial (GS) obteve grande adesão e suporte por parte das empresas que compõem o emergente segmento fotovoltaico no Brasil, congregando hoje 60 empresas dos diferentes segmentos de sua cadeia de valor. Desde fevereiro deste ano, o GS conta com uma diretoria e quatro grupos de trabalho (GT): GT Leilão, GT Mercado, GT Tributário e GT Inversores/Normas.
Segundo o presidente do GS, Leônidas Andrade, é possível dizer que já há no Brasil uma indústria emergente e ativa ligada ao setor fotovoltaico, produzindo inversores, controladores de carga, estruturas de alumínio, gabinetes, além de cabos e conectores.
AIém disso, Andrade fala sobre o ressurgimento das primeiras empresas produzindo móduIos fotovoltaicos com o sentido de ampliar e verticalizar a sua produção, tão logo haja demanda que justifique investimentos adicionais. Segundo documentos do grupo, outros projetos para fabricação de células e módulos estão em plena fase de desenvolvimento, esperando apenas por uma sinalização mais firme que justifique os seus investimentos.
Com presença especial na edição 2011 da Feira Internacional da Indústria Elétrica, Energia e Automação (Fiee), em que 18 empresas apresentaram produtos desenvolvidos para o setor, Andrade afirma: "apesar de a indústria brasileira ainda ser embrionária, o interesse pelo fotovoltaico é grande e impulsionou a criação do grupo, cuja missão é discutir a indústria fotovoltaica como uma das formas de energia que se tornará cada vez mais competitiva no mundo", prevê.
Planta piloto instalada na sede da Eletrosul, em Florianópolis (SC)
Além de fomentar discussões, o GS também visa a fortalecer a necessidade de o Brasil ter uma indústria instalada e pronta para suprir a própria demanda nacional, quando a energia fotovoltaica estiver estabelecida no país, além de se tornar exportadora. É neste sentido que o governo deve entrar como parceiro desta indústria que nasce com um mercado promissor em vista.
"Nós levantamos que programas de energia solar fotovoltaica dos países desenvolvidos tem por prioridade movimentar suas economias por meio de índices estratégicos de nacionalização de sistemas fotovoltaicos, estimulando a criação de indústrias e, sobretudo, gerando empregos de valor agregado. Para se ter no Brasil mercado fotovoltaico sustentável e de larga escala é preciso instituir programa de incentivo ao estabelecimento de fábricas de equipamentos no Brasil", afirma Andrade.
O presidente do GS finaliza realizando um paralelo entre a política industrial para equipamentos eficientes e a concreta adoção das tecnologias renováveis na matriz energética brasileira.
Para Andrade, tendo em vista o papel complementar e estratégico das fontes alternativas e renováveis, e entendendo a diretriz do Governo para o setor elétrico de diversificação da matriz energética, essas fontes continuarão a ser estimuladas em consonância com os procedimentos estabelecidos pelo novo modelo do setor elétrico. Entretanto, esse estímulo deverá vir acompanhado de uma política industrial que promova o desenvolvimento nacional da cadeia produtiva das tecnologias dessas fontes, pois a indústria nacional de equipamentos ainda precisa ser desenvolvida, a fim de se obter redução de custos e ganho de escala.
Com este cenário de crescimento e de fortalecimento das energias renováveis, é possível afirmar que a energia solar é uma das formas de geração de eletricidade que deve crescer substancialmente nas próximas décadas e vem com a missão de auxiliar um dos grandes desafios deste milênio que é suprir a necessidade de energia de forma sustentável.
O principal obstáculo a ser superado neste momento é fazer o equipamento necessário a geração da energia solar tornar-se mais barato e acessível. Na opinião de Andrade, o governo precisa fazer sua parte, subsidiando este tipo de investimento e vendo a energia solar não apenas como um sistema para ser usado em locais isolados, mas para complementar a demanda em rede.
Por Luciana Mendonça
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 65 junho de 2011
O MITO DA MADEIRA
A TEORIA DE QUE NÃO SE DEVE USAR MADEIRA EM QUADROS ELÉTRICOS É UMA RECOMENDAÇÃO NORMATIVA OU UMA LENDA VIVA NO SETOR ELÉTRICO? VEJA O QUE ESPECIALISTAS DIZEM SOBRE O ASSUNTO
Não raramente, ouvimos, inclusive de profissionais experientes na área, que madeira e eletricidade não podem andar juntos e chega a ser uma heresia o seu emprego no fundo de quadros elétricos. Em uma breve pesquisa no Google, por exemplo, encontramos em inúmeros sites - mesmo especializados - a indicação de que não se deve utilizar a madeira em quadros de eletricidade. Um deles determina: "0 quadro de luz deve ser metálico ou de material incombustível e nunca de madeira (na sua parte interna ou externa". Para muitos, esta proibição é certa e inconteste e poucos chegam a pesquisar o tema, visto que, muitas vezes, não restam dúvidas quanto a esta aplicação. Mas, afinal, esta seria uma recomendação normativa, excesso de zelo ou uma prática sem razão de ser? 0 que dizem as normas técnicas sobre este assunto?
Para o consultor e professor Hilton Moreno, para discutir a questão é preciso recorrer a dois conceitos fundamentais: condutividade térmica e ponto de combustão. A norma de instalações elétricas de baixa tensão ABNT NBR 5410 diz:
5.2.2.1.2 - Os componentes fixos, cujas superfícies externas possam atingir temperaturas suscetíveis de provocar incêndio nos materiais adjacentes, devem ser: a) montados sobre ou envolvidos por materiais que suportem tais temperaturas e sejam de baixa condutividade térmica.
Hilton Moreno explica que condutividade térmica é uma propriedade física dos materiais, medida em W/m.K, que descreve a habilidade dos materiais de conduzir calor. "Enquanto, por exemplo, a condutividade térmica do alumínio é 237 W/m.K e a do ferro é 80,3 W/m.K, a da madeira (pinho) é apenas de 0,11 a 0,14 W/m.K. Assim, devido à organização estrutural do tecido, que retém pequenos volumes de ar em seu interior, a madeira impede a transmissão de ondas de calor ou frio, tornando-se um mau condutor térmico (baixa condutividade térmica), isolando calor ou frio", esclarece. Desse modo, a madeira acaba sendo qualificada como um material apto a receber os componentes elétricos.
Além disso, outro ponto importante refere-se à combustão, ou seja, a temperatura mínima em que um combustível sólido, sendo aquecido, desprende gases que, em contato com fonte externa de calor, se incendeiam, mantendo-se as chamas. Moreno explica que o ponto de combustão da madeira e da ordem de 300°C. Dessa forma, para provocar incêndio em madeira, é necessário que a superfície extrema do componente elétrico seja constante e igual ao ponto de combustão da madeira, o que, segundo ele, não é uma condição usual. "Até porque os circuitos são interrompidos pelos dispositivos de proteção contra sobrecorrentes em frações de segundos em temperaturas menores do que esta, anulando assim a fonte de calor para a combustão da madeira", acrescenta.
Não há, portanto, na ABNT NBR 5410 qualquer menção ou proibição ao uso de madeira no fundo de quadros elétricos.
Alguns documentos com regras de instalação caminham na mesma direção que a norma de instalações de baixa tensão. É o caso do "Regulamento de instalações consumidoras" das concessionárias AES Sul, CEEE e RGE, que recomenda, inclusive, entre outros materiais, a aplicação da madeira:
"9.2. Caixas e/ou painéis para medição
9.2.1. Material Devem ser confeccionadas em chapa de aço oleada ou zincada, alumínio, resinas poliéster reforçadas com fibra de vidro, policarbonato, polietileno, poliéster ou madeira.'
O documento fornece as seguintes instruções:
"3.2.4. Caixas de madeira Devem ser confeccionadas somente nos modelos CI e CE, de cerne ou pinho, aplainado em ambos os lados, sem fendas ou rachaduras, com espessura mínima de 2 cm.
Devem ser pintadas interna e externamente com tinta a óleo, esmalte sintético ou envernizada. O modelo CE deve ter a face superior revestida com chapa metálica. O modelo CI deve possuir moldura. Em regiões com acentuado índice de corrosão (carboníferas e litorâneas), as partes metálicas (dobradiças, trinco, fecho, face superior, etc.) devem ser de material não ferroso. "
Mas há controvérsias. Diversos especialistas manifestam-se contra este tipo de aplicação. Na opinião do engenheiro eletricista e de segurança do trabalho, Roberval Mostardeiro de Paula, por exemplo, a principal argumentação contra o uso da madeira refere-se a outras questões, como o apodrecimento, o cupim, a umidade e a salinidade do material. "A madeira tem uma durabilidade limitada e não permite, por exemplo, um trabalho mais complexo, diferente do poliéster refinado, muito melhor e mais fácil para se trabalhar", avalia.
Para ele, um composto de poliéster (SMC resina termofixa prensada ou assemelhado) com aditivos específicos possui condições de suportar até 960°C. Resiste aos agentes do clima tais como umidade, UV, ambientes salinos, às bruscas mudanças climáticas, imune a cupins. Isso sem contar com a moldabilidade. "Pode-se argumentar que a madeira tratada
pode chegar bem próximo destes níveis, o que eu concordo, mas neste caso surge uma dúvida: que norma prescreve a obrigatoriedade do tratamento da madeira antes de aplicá-la em painéis de eletricidade? Quais os critérios? Que parâmetros?", questiona.
Nesse sentido, o site do Procobre, por exemplo, traz o seguinte aconselhamento embutido em um artigo: "Quadro de luz: é a peça chave inicial das instalações elétricas. Deve ser metálico ou de material não-combustível, tanto na sua parte interna ou externa. Se o quadro de luz for antigo ou de madeira, por exemplo, é aconselhável trocá-lo o quanto antes". Para Roberval de Paula, dimensões, replicabilidade, facilidade construtiva, tempo de instalação, padronização e normatização, enfim, falta de certificação, são os argumentos que inviabilizaria o uso da madeira. "Como ensaiar e certificar um painel de medição feito em madeira e depois efetuar sua instalação sem que perca as características certificadas?", indaga.
O engenheiro Edson Martinho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracope!), concorda que não há restrições normativas quanto ao uso da madeira, mas não recomenda seu uso. Segundo ele, para que a madeira seja utilizada, é preciso que a instalação esteja corretamente dimensionada, com os devidos dispositivos instalados para não correr riscos. O engenheiro Eduardo Daniel, da Certiel Brasil, também não recomenda o uso da madeira por conta do risco de combustão em caso de fogo nos contatos ou condutores. Roberval de Paula diz que, em maior ou menor grau, a madeira é um combustível se comparada aos metais comumente utilizados em painéis de eletricidade. "Se assim fosse, porque os quadros de comando, CCMs, não são feitos de madeira?", lembra.
Mesmo não havendo restrições normativas, muitos profissionais manifestam-se contra o uso da madeira. Portanto, o uso ou não do material fica por conta de cada instalador e/ou projetista.
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 63 abril de 2011
Não raramente, ouvimos, inclusive de profissionais experientes na área, que madeira e eletricidade não podem andar juntos e chega a ser uma heresia o seu emprego no fundo de quadros elétricos. Em uma breve pesquisa no Google, por exemplo, encontramos em inúmeros sites - mesmo especializados - a indicação de que não se deve utilizar a madeira em quadros de eletricidade. Um deles determina: "0 quadro de luz deve ser metálico ou de material incombustível e nunca de madeira (na sua parte interna ou externa". Para muitos, esta proibição é certa e inconteste e poucos chegam a pesquisar o tema, visto que, muitas vezes, não restam dúvidas quanto a esta aplicação. Mas, afinal, esta seria uma recomendação normativa, excesso de zelo ou uma prática sem razão de ser? 0 que dizem as normas técnicas sobre este assunto?
Para o consultor e professor Hilton Moreno, para discutir a questão é preciso recorrer a dois conceitos fundamentais: condutividade térmica e ponto de combustão. A norma de instalações elétricas de baixa tensão ABNT NBR 5410 diz:
5.2.2.1.2 - Os componentes fixos, cujas superfícies externas possam atingir temperaturas suscetíveis de provocar incêndio nos materiais adjacentes, devem ser: a) montados sobre ou envolvidos por materiais que suportem tais temperaturas e sejam de baixa condutividade térmica.
Hilton Moreno explica que condutividade térmica é uma propriedade física dos materiais, medida em W/m.K, que descreve a habilidade dos materiais de conduzir calor. "Enquanto, por exemplo, a condutividade térmica do alumínio é 237 W/m.K e a do ferro é 80,3 W/m.K, a da madeira (pinho) é apenas de 0,11 a 0,14 W/m.K. Assim, devido à organização estrutural do tecido, que retém pequenos volumes de ar em seu interior, a madeira impede a transmissão de ondas de calor ou frio, tornando-se um mau condutor térmico (baixa condutividade térmica), isolando calor ou frio", esclarece. Desse modo, a madeira acaba sendo qualificada como um material apto a receber os componentes elétricos.
Além disso, outro ponto importante refere-se à combustão, ou seja, a temperatura mínima em que um combustível sólido, sendo aquecido, desprende gases que, em contato com fonte externa de calor, se incendeiam, mantendo-se as chamas. Moreno explica que o ponto de combustão da madeira e da ordem de 300°C. Dessa forma, para provocar incêndio em madeira, é necessário que a superfície extrema do componente elétrico seja constante e igual ao ponto de combustão da madeira, o que, segundo ele, não é uma condição usual. "Até porque os circuitos são interrompidos pelos dispositivos de proteção contra sobrecorrentes em frações de segundos em temperaturas menores do que esta, anulando assim a fonte de calor para a combustão da madeira", acrescenta.
Não há, portanto, na ABNT NBR 5410 qualquer menção ou proibição ao uso de madeira no fundo de quadros elétricos.
Alguns documentos com regras de instalação caminham na mesma direção que a norma de instalações de baixa tensão. É o caso do "Regulamento de instalações consumidoras" das concessionárias AES Sul, CEEE e RGE, que recomenda, inclusive, entre outros materiais, a aplicação da madeira:
"9.2. Caixas e/ou painéis para medição
9.2.1. Material Devem ser confeccionadas em chapa de aço oleada ou zincada, alumínio, resinas poliéster reforçadas com fibra de vidro, policarbonato, polietileno, poliéster ou madeira.'
O documento fornece as seguintes instruções:
"3.2.4. Caixas de madeira Devem ser confeccionadas somente nos modelos CI e CE, de cerne ou pinho, aplainado em ambos os lados, sem fendas ou rachaduras, com espessura mínima de 2 cm.
Devem ser pintadas interna e externamente com tinta a óleo, esmalte sintético ou envernizada. O modelo CE deve ter a face superior revestida com chapa metálica. O modelo CI deve possuir moldura. Em regiões com acentuado índice de corrosão (carboníferas e litorâneas), as partes metálicas (dobradiças, trinco, fecho, face superior, etc.) devem ser de material não ferroso. "
Mas há controvérsias. Diversos especialistas manifestam-se contra este tipo de aplicação. Na opinião do engenheiro eletricista e de segurança do trabalho, Roberval Mostardeiro de Paula, por exemplo, a principal argumentação contra o uso da madeira refere-se a outras questões, como o apodrecimento, o cupim, a umidade e a salinidade do material. "A madeira tem uma durabilidade limitada e não permite, por exemplo, um trabalho mais complexo, diferente do poliéster refinado, muito melhor e mais fácil para se trabalhar", avalia.
Para ele, um composto de poliéster (SMC resina termofixa prensada ou assemelhado) com aditivos específicos possui condições de suportar até 960°C. Resiste aos agentes do clima tais como umidade, UV, ambientes salinos, às bruscas mudanças climáticas, imune a cupins. Isso sem contar com a moldabilidade. "Pode-se argumentar que a madeira tratada
pode chegar bem próximo destes níveis, o que eu concordo, mas neste caso surge uma dúvida: que norma prescreve a obrigatoriedade do tratamento da madeira antes de aplicá-la em painéis de eletricidade? Quais os critérios? Que parâmetros?", questiona.
Nesse sentido, o site do Procobre, por exemplo, traz o seguinte aconselhamento embutido em um artigo: "Quadro de luz: é a peça chave inicial das instalações elétricas. Deve ser metálico ou de material não-combustível, tanto na sua parte interna ou externa. Se o quadro de luz for antigo ou de madeira, por exemplo, é aconselhável trocá-lo o quanto antes". Para Roberval de Paula, dimensões, replicabilidade, facilidade construtiva, tempo de instalação, padronização e normatização, enfim, falta de certificação, são os argumentos que inviabilizaria o uso da madeira. "Como ensaiar e certificar um painel de medição feito em madeira e depois efetuar sua instalação sem que perca as características certificadas?", indaga.
O engenheiro Edson Martinho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracope!), concorda que não há restrições normativas quanto ao uso da madeira, mas não recomenda seu uso. Segundo ele, para que a madeira seja utilizada, é preciso que a instalação esteja corretamente dimensionada, com os devidos dispositivos instalados para não correr riscos. O engenheiro Eduardo Daniel, da Certiel Brasil, também não recomenda o uso da madeira por conta do risco de combustão em caso de fogo nos contatos ou condutores. Roberval de Paula diz que, em maior ou menor grau, a madeira é um combustível se comparada aos metais comumente utilizados em painéis de eletricidade. "Se assim fosse, porque os quadros de comando, CCMs, não são feitos de madeira?", lembra.
Mesmo não havendo restrições normativas, muitos profissionais manifestam-se contra o uso da madeira. Portanto, o uso ou não do material fica por conta de cada instalador e/ou projetista.
Artigo publicado na Revista O Setor Elétrico Ed. 63 abril de 2011
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